artigos e ensaios - 2018 / Mariza Peirano

A eterna juventude da antropologia

Conceitos acadêmicos não são diferentes de outras noções da nossa experiência. Eles mudam no tempo, mudam no espaço; são tanto históricos quanto contextuais. Nenhum tem significado perene e, no caso das ciências sociais, as transformações por que passam refletem o que Max Weber considerou sua “eterna juventude”. Esta característica positiva refletia um raro otimismo do autor ― o de que essas ciências seriam sempre jovens, em permanente elaboração, sofisticação e renovação. Partilho esta visão de Weber propondo que, na antropologia, ela se apresenta por meio da etnografia, que nada mais é que a teoria vivida.

Mas o que foi a etnografia antes?

Da perspectiva da eterna juventude, o conceito de etnografia tem uma história longa e, com frequência, pendular ― modificamos nossa concepção, muitas vezes para voltar, revigorados, a um ponto conhecido. Como em outras situações, devemos a Malinowski a abordagem consagrada pela apresentação do kula; a própria ausência de uma tradução fazia parte de sua visão etnográfica, isto é, em consonância com a prática e a perspectiva, não dele, mas dos trobriandeses. Leia na íntegra...